Retornando
aos posts, após período observando enorme passionalidade eleitoral e com
sequelas nunca dantes vistas neste país, indo a aberração inédita em todo o
mundo de protestos a favor da volta da ditadura, um pouco de informação
completa e adequada é bem-vinda. Dentro do cenário de que informação a imprensa
deveria fornecer de forma isenta e com a devida ênfase aos prós e contras desta
informação, vale colocar um ponto mal informado nos últimos anos.
A Alemanha
“cubanizou”, diria uma imprensa ultra-direita alemã, se ela existisse, com
intuito de incutir uma ideia errada à população de seu país, para também trazer
desconforto, desinformação e demonizar os atuais governantes. E tudo isso seria
criado porque empresas alemãs participaram da concorrência internacional aberta
pelo governo de Cuba para construção de seu estratégico porto de Mariel. Tudo
isso aconteceu, exceto o processo de desinformação da imprensa alemã, parte
porque a imprensa de lá é mais profissional e isenta e parte porque o povo é
mais atento a tentativas de engodos.
Empresas
alemãs, especificamente empreiteiras de execução e tecnologia, juntamente com
empresas do Brasil, Japão, México e outros, participaram da concorrência
internacional para a construção do Porto de Mariel em Cuba, porque empresas vão
atrás de sua atividade core, ampliar
negócios e gerar lucros. Obviamente os seus respectivos governos, em bids desta natureza, colocam seus
esforços de relações internacionais para ajudar as empresas e de obter
oportunidades econômicas com o negócio, se assim elas enxergarem como
estratégicas para seus países.
A
concorrência foi vencida pelo Brasil, supostamente não somente pelo preço e
expertise apresentado pelas empresas brasileiras participantes, mas também
pelas boas relações que o governo brasileiro tem com Cuba. Brasil é um dos
países que mais externa ser contrário ao embargo econômico americano que sufoca
de forma impiedosa o país por mais de 50 anos, onde neste instante os Estados
Unidos finalmente sinaliza um breve final deste embargo.
Quando uma empreiteira
de execução e tecnologia parte para executar uma grande obra, isto é, de grande
aporte financeiro, requer financiamento, e este busca no mercado privado, a
juros altos, ou através de entidades públicas preservadoras de crescimento do
país, a juros menores. Se estes bancos públicos interpretarem como vantagens ao
país e/ou ao seu povo, irão fazer o financiamento a empresa brasileira.
Exatamente a mesma regra é praticada às empreiteiras de outros países por seus
respectivos governantes.
Daí entra um
Banco de Fomento. O que é um Banco de Fomento? Para que serve? É uma
particularidade do Brasil ou existem em outros países? Todo Banco de Fomento tem um mesmo objetivo:
são indutores, incentivadores, do desenvolvimento sócio econômico do país que
atuam, seja através do financiamento de equipamentos, salários e até de suporte
a projetos e implementações em geral a especificamente empresas brasileiras. Um
Banco de Fomento não pode se transformar em qualquer outro tipo de instituição que
compõem o Sistema Financeiro Nacional. Existem vários Bancos de Fomento no Brasil, onde o maior e mais conhecido é o BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social. Observem, econômico e social, significa incrementar a economia
brasileira e a parte social do seu povo. O Brasil não é o “inventor” dos Bancos
de Fomentos, assim como não é o inventor de Bolsa Família, Programa Mais
Médicos e outros, pois existem em inúmeros outros países. O Brasil ainda está
atrás de muitos países em termos de investimentos através de Bancos de Fomento,
porque países como Estados Unidos, Alemanha, Japão, tem estas estruturas
em benefício de sua população em volumes de dinheiro investido muito maior que
o brasileiro, apesar do BNDES ter batido recorde de lucro no primeiro
semestre e terceiro trimestre de 2014.
São colocadas
tecnologias, fabricados equipamentos de pequeno, médio, grande e até
gigantescos porte. São realizados desenvolvimentos e pesquisa, envolvidos
Universidades, pesquisadores, subcontratados consultorias, terceirizações,
quarteirizações, etc. A demanda é gigantesca em termos de recursos humano e de
materiais. Traz enorme oportunidade a uma infindável gama de trabalhadores,
pois o financiamento somente é permitido com a criação de emprego no país
origem, Brasil. Assim também fazem os outros países.
Todos os
países tem suas empreiteiras trabalhando em inúmeros outros países, da mesma
forma as empreiteiras brasileiras o fazem. Há empreiteira brasileira atuando em
22 países na atualidade. Daí é absolutamente natural que um dos países seja
Cuba. Não se pode comparar ou analisar que o dinheiro gasto no porto de Mariel
o governo brasileiro poderia usar em construir um porto ou um hospital no
Brasil, pois é um racional absolutamente errado que se tenta incutir na cabeça
do povo, isto porque quem atua como participante de uma concorrência é uma
empresa privada. Quando uma concorrência é aberta, é porque tem um cliente que
pagará por um serviço (no caso Cuba), um fornecedor/executor (no caso cerca de
400 empresas brasileiras) e um financiador parcial ou total (no caso o BNDES). Esta
importância às empresas brasileiras é expressa pelo presidente da FIESP em
entrevista à TV no video abaixo.
Se tudo isso é muito comum, isto é, inúmeras obras as empresas brasileiras fazem pelo mundo, assim como empresas americanas, alemãs, etc, fazem obras pelo mundo, vendendo tecnologia, mão-de-obra, expertise, geram muitos empregos e no caso do Porto de Mariel, são 20 empregos, todos de brasileiros, porque esta tremenda desinformação às pessoas no Brasil? Porque esta demonização por ser Cuba? Porque não fazem a mesma crítica quando são feitos obras semelhantes em outros países? Porque os outros grandes países queriam ganhar esta concorrência? Começou a refletir agora “cara pálida”?
Se tudo isso é muito comum, isto é, inúmeras obras as empresas brasileiras fazem pelo mundo, assim como empresas americanas, alemãs, etc, fazem obras pelo mundo, vendendo tecnologia, mão-de-obra, expertise, geram muitos empregos e no caso do Porto de Mariel, são 20 empregos, todos de brasileiros, porque esta tremenda desinformação às pessoas no Brasil? Porque esta demonização por ser Cuba? Porque não fazem a mesma crítica quando são feitos obras semelhantes em outros países? Porque os outros grandes países queriam ganhar esta concorrência? Começou a refletir agora “cara pálida”?
Porque
não é mostrado outras realidades? Se todos lerem a respeito verão o porquê
países europeus e asiáticos participaram desta concorrência pública. O Porto de
Mariel é estratégico para a passagem de produtos entre países europeus, Brasil,
países centro americanos com toda a costa Pacífica das Américas e países
asiáticos, Austrália, Nova Zelândia. Será um porto independente dos Estados
Unidos, gerando concorrência e melhores oportunidade principalmente ao pré-sal
brasileiro. O interesse é tão grande pelos países à posição estratégica deste
porto, que o mesmo será entregue a administração das operações a empresa da
Holanda e Singapura.
O
mundo está de olho nos benefícios do porto e até empresários americanos,
chefiado pelo diretor da Câmara de Comércio Americana, Thomas Donohue, visitou
o Porto de Mariel e ouviu propostas mútuas de parcerias. Com isso observa-se
ser bastante preconceituoso e lotado de paradigma quando relatam internamente
no Brasil que independente do financiamento do BNDES a empresas brasileiras,
foi doado às obras pelo governo brasileiro através do Ministério do
Desenvolvimento Econômico R$240 milhões (100 milhões de dólares) através de
contrato sigiloso por 30 anos, onde aposta-se num retorno ao desenvolvimento
brasileiro muito superior a isso, pelos benefícios que o Brasil terá no uso do
porto. Volto a dizer, é estratégico demais para irrisórios 100 milhões de
dólares frente aos benefícios brasileiros a exportações e importações. Imagine
o tamanho de interesse de países economicamente melhores que o Brasil, sendo
vencidos por um país emergente, dos BRICS, e que arrematou construção e
priorização, por custo irrisório. Até onde as estratégias estão relacionadas
com a construção do Canal da
Nicarágua pela China, dando alternativa ao monopólio do Canal do
Panamá? Até onde as estratégias brasileiras estão relacionadas com a prevista
queda dos custos de commodities brasileiros com o Porto de Mariel e novo canal
trazendo ao Brasil enorme competitividade?
Até
o Jornal O Globo descreve em trecho de reportagem “Cuba não conta com variedade
significante de matérias-primas e nem é um país industrializado. Mas tem uma
posição geográfica privilegiada, que, no futuro será de grande importância.
Mariel é o porto caribenho mais próximo da Flórida e se encontra a apenas 45
quilômetros de Havana, capital de Cuba, que concentra mais de 20% da população
do país. O investimento no porto é de quase US$ 1 bilhão e só faz sentido
porque em torno dele surgirá uma zona econômica especial, voltada basicamente
para exportações. O Brasil tem uma participação ainda pouco significativa nos
mercados caribenho e da América Central. Mariel é um caminho para que empresas
brasileiras se instalem nessa zona econômica especial e processem produtos
destinados a esses mercados, especialmente os de alta tecnologia, que
utilizarão muitos insumos inexistentes em Cuba (e que, por isso, terão
diferentes origens, fazendo com que o porto tenha papel central em todo esse
projeto). A proximidade com o novo Canal do Panamá também é um fator a se
considerar, para chegada aos mercados situados no Pacífico.”
Independente dos partidarismos e das manifestações pouco sensatas nas últimas eleições, há necessidade de entender melhor política, logística e benefícios aos seu país, ao seu povo. Em um tweet do jornalista Bob Fernandes (abaixo) há uma manifestação clara desta enorme oportunidade de concerto das cabeças das pessoas, não para necessariamente mudar sua opção partidária, mas para não ficarem na escuridão política pessoal.
