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domingo, 9 de novembro de 2014

A Alemanha “cubanizou” – Porto de Mariel

Retornando aos posts, após período observando enorme passionalidade eleitoral e com sequelas nunca dantes vistas neste país, indo a aberração inédita em todo o mundo de protestos a favor da volta da ditadura, um pouco de informação completa e adequada é bem-vinda. Dentro do cenário de que informação a imprensa deveria fornecer de forma isenta e com a devida ênfase aos prós e contras desta informação, vale colocar um ponto mal informado nos últimos anos.
A Alemanha “cubanizou”, diria uma imprensa ultra-direita alemã, se ela existisse, com intuito de incutir uma ideia errada à população de seu país, para também trazer desconforto, desinformação e demonizar os atuais governantes. E tudo isso seria criado porque empresas alemãs participaram da concorrência internacional aberta pelo governo de Cuba para construção de seu estratégico porto de Mariel. Tudo isso aconteceu, exceto o processo de desinformação da imprensa alemã, parte porque a imprensa de lá é mais profissional e isenta e parte porque o povo é mais atento a tentativas de engodos.
Empresas alemãs, especificamente empreiteiras de execução e tecnologia, juntamente com empresas do Brasil, Japão, México e outros, participaram da concorrência internacional para a construção do Porto de Mariel em Cuba, porque empresas vão atrás de sua atividade core, ampliar negócios e gerar lucros. Obviamente os seus respectivos governos, em bids desta natureza, colocam seus esforços de relações internacionais para ajudar as empresas e de obter oportunidades econômicas com o negócio, se assim elas enxergarem como estratégicas para seus países.
A concorrência foi vencida pelo Brasil, supostamente não somente pelo preço e expertise apresentado pelas empresas brasileiras participantes, mas também pelas boas relações que o governo brasileiro tem com Cuba. Brasil é um dos países que mais externa ser contrário ao embargo econômico americano que sufoca de forma impiedosa o país por mais de 50 anos, onde neste instante os Estados Unidos finalmente sinaliza um breve final deste embargo.
Quando uma empreiteira de execução e tecnologia parte para executar uma grande obra, isto é, de grande aporte financeiro, requer financiamento, e este busca no mercado privado, a juros altos, ou através de entidades públicas preservadoras de crescimento do país, a juros menores. Se estes bancos públicos interpretarem como vantagens ao país e/ou ao seu povo, irão fazer o financiamento a empresa brasileira. Exatamente a mesma regra é praticada às empreiteiras de outros países por seus respectivos governantes.
Daí entra um Banco de Fomento. O que é um Banco de Fomento? Para que serve? É uma particularidade do Brasil ou existem em outros países?   Todo Banco de Fomento tem um mesmo objetivo: são indutores, incentivadores, do desenvolvimento sócio econômico do país que atuam, seja através do financiamento de equipamentos, salários e até de suporte a projetos e implementações em geral a especificamente empresas brasileiras. Um Banco de Fomento não pode se transformar em qualquer outro tipo de instituição que compõem o Sistema Financeiro Nacional. Existem vários Bancos de Fomento no Brasil, onde o maior e mais conhecido é o BNDES  - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Observem, econômico e social, significa incrementar a economia brasileira e a parte social do seu povo. O Brasil não é o “inventor” dos Bancos de Fomentos, assim como não é o inventor de Bolsa Família, Programa Mais Médicos e outros, pois existem em inúmeros outros países. O Brasil ainda está atrás de muitos países em termos de investimentos através de Bancos de Fomento, porque países como Estados Unidos, Alemanha, Japão, tem estas estruturas em benefício de sua população em volumes de dinheiro investido muito maior que o brasileiro, apesar do BNDES ter batido recorde de lucro no primeiro semestre e terceiro trimestre de 2014.
São colocadas tecnologias, fabricados equipamentos de pequeno, médio, grande e até gigantescos porte. São realizados desenvolvimentos e pesquisa, envolvidos Universidades, pesquisadores, subcontratados consultorias, terceirizações, quarteirizações, etc. A demanda é gigantesca em termos de recursos humano e de materiais. Traz enorme oportunidade a uma infindável gama de trabalhadores, pois o financiamento somente é permitido com a criação de emprego no país origem, Brasil. Assim também fazem os outros países.
Todos os países tem suas empreiteiras trabalhando em inúmeros outros países, da mesma forma as empreiteiras brasileiras o fazem. Há empreiteira brasileira atuando em 22 países na atualidade. Daí é absolutamente natural que um dos países seja Cuba. Não se pode comparar ou analisar que o dinheiro gasto no porto de Mariel o governo brasileiro poderia usar em construir um porto ou um hospital no Brasil, pois é um racional absolutamente errado que se tenta incutir na cabeça do povo, isto porque quem atua como participante de uma concorrência é uma empresa privada. Quando uma concorrência é aberta, é porque tem um cliente que pagará por um serviço (no caso Cuba), um fornecedor/executor (no caso cerca de 400 empresas brasileiras) e um financiador parcial ou total (no caso o BNDES). Esta importância às empresas brasileiras é expressa pelo presidente da FIESP em entrevista à TV no video abaixo.


Se tudo isso é muito comum, isto é, inúmeras obras as empresas brasileiras fazem pelo mundo, assim como empresas americanas, alemãs, etc, fazem obras pelo mundo, vendendo tecnologia, mão-de-obra, expertise, geram muitos empregos e no caso do Porto de Mariel, são 20 empregos, todos de brasileiros, porque esta tremenda desinformação às pessoas no Brasil? Porque esta demonização por ser Cuba? Porque não fazem a mesma crítica quando são feitos obras semelhantes em outros países? Porque os outros grandes países queriam ganhar esta concorrência? Começou a refletir agora “cara pálida”?
Porque não é mostrado outras realidades? Se todos lerem a respeito verão o porquê  países europeus e asiáticos participaram desta concorrência pública. O Porto de Mariel é estratégico para a passagem de produtos entre países europeus, Brasil, países centro americanos com toda a costa Pacífica das Américas e países asiáticos, Austrália, Nova Zelândia. Será um porto independente dos Estados Unidos, gerando concorrência e melhores oportunidade principalmente ao pré-sal brasileiro. O interesse é tão grande pelos países à posição estratégica deste porto, que o mesmo será entregue a administração das operações a empresa da Holanda e Singapura.
  
O mundo está de olho nos benefícios do porto e até empresários americanos, chefiado pelo diretor da Câmara de Comércio Americana, Thomas Donohue, visitou o Porto de Mariel e ouviu propostas mútuas de parcerias. Com isso observa-se ser bastante preconceituoso e lotado de paradigma quando relatam internamente no Brasil que independente do financiamento do BNDES a empresas brasileiras, foi doado às obras pelo governo brasileiro através do Ministério do Desenvolvimento Econômico R$240 milhões (100 milhões de dólares) através de contrato sigiloso por 30 anos, onde aposta-se num retorno ao desenvolvimento brasileiro muito superior a isso, pelos benefícios que o Brasil terá no uso do porto. Volto a dizer, é estratégico demais para irrisórios 100 milhões de dólares frente aos benefícios brasileiros a exportações e importações. Imagine o tamanho de interesse de países economicamente melhores que o Brasil, sendo vencidos por um país emergente, dos BRICS, e que arrematou construção e priorização, por custo irrisório. Até onde as estratégias estão relacionadas com a construção do Canal da Nicarágua pela China, dando alternativa ao monopólio do Canal do Panamá? Até onde as estratégias brasileiras estão relacionadas com a prevista queda dos custos de commodities brasileiros com o Porto de Mariel e novo canal trazendo ao Brasil enorme competitividade?
Até o Jornal O Globo descreve em trecho de reportagem “Cuba não conta com variedade significante de matérias-primas e nem é um país industrializado. Mas tem uma posição geográfica privilegiada, que, no futuro será de grande importância. Mariel é o porto caribenho mais próximo da Flórida e se encontra a apenas 45 quilômetros de Havana, capital de Cuba, que concentra mais de 20% da população do país. O investimento no porto é de quase US$ 1 bilhão e só faz sentido porque em torno dele surgirá uma zona econômica especial, voltada basicamente para exportações. O Brasil tem uma participação ainda pouco significativa nos mercados caribenho e da América Central. Mariel é um caminho para que empresas brasileiras se instalem nessa zona econômica especial e processem produtos destinados a esses mercados, especialmente os de alta tecnologia, que utilizarão muitos insumos inexistentes em Cuba (e que, por isso, terão diferentes origens, fazendo com que o porto tenha papel central em todo esse projeto). A proximidade com o novo Canal do Panamá também é um fator a se considerar, para chegada aos mercados situados no Pacífico.”
Independente dos partidarismos e das manifestações pouco sensatas nas últimas eleições, há necessidade de entender melhor política, logística e benefícios aos seu país, ao seu povo. Em um tweet do jornalista Bob Fernandes (abaixo) há uma manifestação clara desta enorme oportunidade de concerto das cabeças das pessoas, não para necessariamente mudar sua opção partidária, mas para não ficarem na escuridão política pessoal.